sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Diálogos entre vó e neto

- Ahhh!
- O que foi, vó?
- Nada, é viagem da vovó.
- E quando é que você volta?
- Já voltei.

Toco tu boca

http://www.juliocortazar.com.ar/audio/capi7www.mp3

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Como Você Pode Consertar Um Coração Partido?

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Eu lembro dos dias mais jovens quando vivo minha vida
Era tudo que um homem poderia desejar fazer.
Eu não conseguia ver o amanhã, e nunca me contaram sobre o sofrimento.

E como você pode consertar um coração partido?
Como você pode impedir a chuva de cair?
Como você pode impedir o sol de brilhar?
O que faz o mundo girar em círculos?
Como você pode consertar este homem partido?
Como pode um perdedor algum dia vencer?
Por favor, ajude-me a consertar meu coração partido e deixe-me viver novamente.

Eu ainda posso sentir a brisa sussurando através das árvores
E as lembranças nebulosas dos dias que se foram.
Nós nunca conseguíamos ver o amanhã, ninguém disse uma palavra sobre o sofrimento.

E como você pode consertar um coração partido?
Como você pode impedir a chuva de cair?
Como você pode impedir o sol de brilhar?
O que faz o mundo girar em círculos?
Como você pode consertar este homem partido?
Como pode um perdedor algum dia vencer?
Por favor, ajude-me a consertar meu coração partido e deixe-me viver novamente.

De novo. De novo e de novo. O vento fazendo voar os papéis, que julgava tão arrumados em cima da mesa, tão certos.
O ácido que cai em sua pele e fura, a dor intensa. E não adianta lavar, vai continuar a furar e doer até chegar no osso.
É, o vento.
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domingo, 21 de novembro de 2010

Lambendo a cria

Matéria da Rede Minas sobre o Centro Municipal de Agricultura Urbana. Olha eu dando uma palinha sobre o plantio em pequenos espaços!

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domingo, 14 de novembro de 2010

Nove + 2 coisas sobre mim

- Estou muito, muito cansada.
- Detesto aeroporto. A espera, a cara de "eu sou superior" da classe média, as livrarias vendendo auto-ajuda e best-sellers.
- Tenho chorado até em filme de Power Rangers. Solucei em Gran Torino.
- Queria ter conhecido Julio Cortázar pessoalmente.
- Não queria ser rica, mas queria muito viver sem grandes preocupações financeiras. Tenho que pensar em contas a pagar todo dia, esse negócio drena toda a minha energia.
- Amo todos os tons de lilás, violeta, anil. Quando vejo uma parede, um tecido com essas nuances, tenho desejo de poesias.
- Se tivesse que escolher entre axé, pagode ou sertaneja como questão de vida ou morte, tava fudida. Sertaneja, acho.
- As vezes acho que tenho alguma doença muito séria, mas mesmo assim, fujo do médico. Preciso ir para resolver coisas concretas, nem um pouco complicadas (a dor no pé, óculos, preventivo), mas não vou. Porque?
- Acho que o livro que li mais vezes foi "Zen e a Arte da Manutenção das Motocicletas". Li umas 6 vezes e é claro que vou lê-lo mais outros tantos.
- Sou radical. Qualquer bijouteria dourada eu acho de uma peruagem sem fim. Com roupa de oncinha e bolsa Louis Vuitton então! Cruz credo.
- Adoro ser mineira.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Beija-flor

Cute cute até não querer mais.

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domingo, 22 de agosto de 2010

Vida Diet

Acordei Pato Fu hoje. Ainda bem, porque a traulitada de sexta foi de doer. Também, quem manda eu ficar alimentando ilusão tosca. Toma! Mas aí que tem a fofa da Fernandinha prá cantar pela e prá gente. áqui, ó!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Produzi um texto sobre Ecologia Integral  para o curso em Saúde e Segurança Alimentar, para as Agentes Comunitárias de Saúde. Até que não ficou de todo ruim...Tá aqui:

Ecologia Integral


“O bem-estar não pode ser só social, tem de ser também sociocósmico" Leonardo Boff.

Em 1866 um biólogo alemão criou a palavra “Ecologia” e definiu o seu significado como o estudo da interrelação entre todos os sistemas vivos e não vivos entre si e com o meio ambiente. É interessante saber que a origem da palavra nos remete aos antigos gregos, pois o prefixo Eco origina-se do grego Oikos. E Oikos significa Casa.

E o que quer dizer integral? Quer dizer inteiro, todo, com todos os componentes, uno. Por exemplo, um alimento integral significa que nele estão presentes todos os elementos que ele pode fornecer para a nossa alimentação, nosso organismo.

A Ecologia Integral parte de uma nova visão de nós mesmos e nossa relação com a Terra. Na perspectiva da Ecologia Integral, a Terra, os seres vivos e não vivos que aqui habitam são um único ser, uma única entidade. São milhares, milhões, bilhões de sistemas interagindo, fazendo trocas o tempo todo.

E qual é a nossa primeira casa? Pensando bem, é o nosso corpo, não é mesmo?

E já repararam que, apesar de na maioria das vezes não percebermos, estamos o tempo todo nos transformando, mudando? É a unha que cresce, o cabelo que cai, a respiração incessante; é também o pensamento que muda, as emoções, a mente; temos ao longo da nossa vida mudanças em nossas opiniões, nosso comportamento, e vai por aí afora.

E, se somos sistemas em constante interação uns com os outros, a conclusão é que tudo o que acontece conosco irá reverberar, ter conseqüências ao nosso redor. Isso significa que,

“O que ocorrer com a Terra, recairá sobre os filhos da Terra. Há uma ligação em tudo”

Os cosmólogos, que são os cientistas que estudam a origem, estrutura e mudanças no Universo, nos advertem que ele está sempre se constituindo e mudando.

E, como foi dito acima, nós também.

Portanto, nada nem ninguém está pronto! Por isso, temos que ter paciência com o processo global, uns com os outros e também conosco mesmo, pois estamos igualmente em processo de nascimento, construção, constituição, mudanças.

Esta paciência inclui rever atitudes imediatistas, pois estamos acostumados a querer tudo para já, agora, inclusive a satisfação imediata e sem concessão dos desejos e prazeres. Que uma vez satisfeitos, nos levam a querer sempre mais, num ciclo sem fim e aprisionador.

A paciência, portanto, é libertadora.

É uma qualidade indispensável, juntamente com outra dimensão libertadora e fundamental que nos aponta a Ecologia Integral: o cuidado.

Cuidado com nosso corpo, nossa alimentação, nossos pensamentos, atitudes. Um cuidado amoroso e acolhedor, tendo sempre em mente a teia interminável de relações interdependentes.

Um cuidado que pode se expressar, por exemplo, na busca de uma alimentação mais equilibrada e de um estilo de vida mais saudável. Isso não quer dizer que devemos consumir alimentos mais caros e sofisticados, pelo contrário; muitas vezes a riqueza está na simplicidade. Um pequeno canteiro de plantas medicinais que cultivamos com carinho, aproveitando um cantinho da casa, pode significar uma importante mudança de atitude, pode impulsionar outras mudanças em nosso ambiente e nossa vida. Quem sabe este canto estava cheio de lixo e entulho, que pode ser reaproveitado para fazer um adubo orgânico, ou até mesmo utilizar recipientes para o plantio de alimentos sem veneno?

Assim como em uma simples semente está contido todo o potencial de uma grande árvore, as pequenas atitudes também contêm o potencial para transformações, que nem sempre percebemos com clareza.

Este cuidado com a nossa primeira casa (lembrem-se do Oikos) pode ser o primeiro passo, ou um deles para desenvolvermos esta atitude amorosa em círculos cada vez mais amplos. Nossa família, nossa comunidade, a cidade...

É como o desenrolar de um fio, o fio da vida.

Começamos com um olhar sobre nós mesmos, uma reflexão sobre o que significa nossa presença no planeta e vamos ampliando o olhar, até que esta tomada de consciência seja cada vez mais global, interaja com outras e outros “tomadores de Consciência”. Afinal, somos seres de relações, homens e mulheres portadores e sujeitos de transformações: pessoais, comportamentais, coletivas, sociais, políticas, cósmicas (por que não?).

E as grandes mudanças, pacientemente, amorosamente, cuidadosamente , se farão acontecer.

E, como nos ensina Leonardo Boff,

“Importa fazermos as pazes e não apenas uma trégua com a Terra. Cumpre refazermos uma aliança de fraternidade e de respeito para com ela. E sentirmo-nos imbuídos do Espírito que tudo penetra e daquele Amor que, no dizer de Dante, move o céu, todas as estrelas e também nossos corações...e que as mudanças “tenham como consequência a preservação e a potenciação do patrimônio formado ao longo de 15 bilhões de anos e que chegou até nós e que devemos passá-lo adiante dentro de um espírito sinergético e afinado com a grande sinfonia universal.”

Marilda Quintino Magalhães – Julho/2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

procuro você quase não procurando - uma vela no quarto, alguns pixels na tela, oráculo de vagas pistas. não, procuro você infinitamente por milhões de anos, você está (quase) sempre em outros mundos, em outra rua, em outra onda, em outra pegada, em outro tesão, ah! em muitas outras poesias, em outra mulher, em outro desejo, sempre em outro dia, em outras músicas, em outra dimensão, em outro bar - não, você não vai a bares, você dorme cedo e acorda de madrugada e vai fazer saudação ao sol, em outro quintal, em outra geração, em outra procura, você está sempre em outra, em outra. você tão leve e eu trocando os passos, sempre achando que sei tudo. danço, para variar. você tão leve, eu tão Poema em Linha Reta, o espelho me devolve a ilusão, não preciso sequer juntar os cacos. você tão leve e eu só comendo besteiras que dariam indigestão a um rato, eu rato no horóscopo chinês, não tive coragem de perguntar o seu signo porque  quero me convencer de que acho isso de uma bobagem sem tamanho mas queria ter pistas, ainda que completamente ridículas, fáceis ou irritantes, de onde você está. fique tranquilo, elas até de certo modo estão aí, mas já não sei se de fato quero segui-las. eu amo os gatos. você, eu não sei, mas isso não importa, continuarei a amá-los mesmo que não o ame mais. ahahah, usei a palavra amor para dizer de você, quer dizer, encontrar você em meu improvável mundo. não é amor? não, não é, é antes uma ilusão bem urdida por mim mesma. Como eu disse, amo os gatos e isso deve bastar.

Não se apresse

"Não se apresse em acreditar em nada, mesmo se estiver escrito nas escrituras sagradas. Não se apresse em acreditar em nada só porque um professor famoso disse. Não acredite em nada apenas porque a maioria concordou que é a verdade. Não acredite em mim. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo."

(Siddartha Gautama, o Buddha, Kalama Sutra 17:49)




domingo, 18 de julho de 2010

Por que é que eu choro tanto, tanto? Certamente ela sabe. Ela também.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

ainda não será desta vez
que me farei doce e voraz
passou a festa, coração.
retorno à lentidão dos dias invisíveis.
papéis criam vida na mesa
batom fora de moda, a tampa eu perdi.
listas intermináveis
reunião terça à tarde.
nada mais dos santos que nos espiavam
de rabo de olho,
como se tudo o mais que existisse no mundo
fosse desnecessário.
passou a festa, coração.
...até mais,
que ainda tenho contas a pagar.

sábado, 3 de julho de 2010

Amores

Dedé e Acauã . 2 mininim bunitim na Praia da Estação.
Apesar de tudo, foram férias bem tranquilas, sem maiores sustos. Consegui retomar algumas coisas que gosto de fazer: o pão integral, um pouco de tricô, enfeitar a casa, organizar plantas. Coisas simples, pequenas. Mas que estavam me fazendo falta, e o pior, não tinha inspiração nem energia.
Mas não vou me enganar, tem uma parada dura me esperando no trabalho, contas a pagar, uma vida a tocar. Muitos sonhos ainda, dos quais não abro mão, não abrirei nunca.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Vai daí que não estou achando nada fácil manter o blog, isto é, organizar e expor minhas idéias e opiniões de maneira clara, sincera e elegante. Uma coisa é você escrever projetos, relatórios, textos técnicos, coisa que tenho tirado de letra desde que escolhi fazer o que faço hoje no trabalho. Outra coisa é ter um diário caderninho secreto, em que as concordâncias verbais e nominais não te perseguem, e muito menos as outras coerências morais, estéticas, afetivas. Você está ali rasgando sua alma. Então que para mim, escrever em um blog é o caminho do meio. Entendeu?
Mas eu quero escrever bem, ah, se quero! Me inspiro nela .

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Apenas observando

Recebi este texto de uma pessoa querida (obrigada, Artur!), espero que traga alguma reflexão  para quem passar por aqui.

"Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do  Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.


Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'


Estamos construindo super-homens e super  mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente  infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!

 Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!'

A publicidade não consegue vender felicidade, então passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este  tênis,  usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!'

 O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo o condicionamento .

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de  missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito,  entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo  hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"                                   FREI  BETTO

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O mundo está  mais burro e solítário, a língua portuguesa mais empobrecida. Morre José Saramago.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Coragem! Calma! Um pouquinho mais, um pouquinho só a mais. Lembre-se de respirar, e não de pirar, pois tudo é impermanente.

terça-feira, 15 de junho de 2010

somewhere i have never travelled, gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look will easily unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully ,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands

e.e.cummings

Começar. Ver o que deve ser visto. Fazer as perguntas certas. Um passo de cada vez. Uma respiração a cada vez. Outono. Nem mais, nem menos.